A Micose de Unha, também chamada de onicomicose, é uma infecção da unha por um fungo. A unha pode ser atingida em qualquer um de seus componentes, incluindo matriz, leito ou lâmina ungueal. Pode ser causa de dor, desconforto, deformidade da unha, culminando em transtorno estético e funcional, limitando muitas vezes as atividades diárias.

Antes de tudo precisamos entender a anatomia da unha, pois é um elemento complexo. É dividida em Dobras Ungueais (parte de encontro da pele com a unha em suas laterais), Matriz Ungueal (onde estão as células que dão origem a unha, sua maior parte está escondida sob a pele até a Lúnula), Lâmina Ungueal (unha propriamente dita), Leito Ungueal (tecido macio abaixo da unha) e Borda Livre (final da unha).

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Os Fungos são os causadores destas e outras micoses. São organismos microscópicos que vivem em ambientes quentes e úmidos, como piscinas, chuveiros. Os fungos penetram na unha, geralmente pela borda livre, através de feridas (visíveis ou não) e podem se proliferar indefinidamente se não tratados. Os fungos dermatófitos (fungos que causam infecção na pele, superficialmente e se “alimentam” de queratina) causam mais de 80% das infecções, o restante fica entre as leveduras e fungos não-dermatófitos. O diagnóstico é confirmado através de exame Micológico Direto (uma raspagem daquela “massa” que fica embaixo da unha) ou Nail Clipping (retirada de um pedaço da unha acometida).

Algumas alterações nas unhas podem chamar a atenção para uma provável micose, dentre eles o espessamento da unha e sua mudança de coloração (amarelamento). Também pode ocorrer irregularidade, deformidade, escurecimento, descolamento, opacidade e quebra das unhas. Se você notou alguma destas alterações, mesmo que pequena, procure seu dermatologista para um diagnóstico e tratamento adequados.

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Os fatores de risco para as micoses de unha são imunossupressão, diabetes, ter outra micose de pele (associação de micose de pele e unha ocorre em 30% casos), contato com água frequente, andar descalço em locais públicos (piscinas, academias), material contaminado de manicure/pedicure e trauma prévio na unha. É mais comum em adultos, numa taxa de quase 90% nas pessoas acima dos 70 anos e menos frequente em crianças (< 2.6% em menores de 18 anos). Somente cerca de 50% das unhas descoladas ou deformadas tem uma micose associada. Outras causas dessas alterações são trauma (sapatos apertados, atividade física intensa, manipulação das unhas), dermatites, psoríase, líquen plano, doenças internas (diabetes, doenças tireoide, doença vascular periférica) e até secundário a medicações como tetraciclinas, psoralenos e quinolonas. A onicomicose pode ser diagnosticada pelo exame clínico, através de achados Dermatoscópicos específicos, associado ao Micológico Direto e quando necessário, para excluir outras causas, Biópsia ungueal. micose-unha_amarelada-c

O tratamento das micoses ungueais depende do tipo de micose, número de unhas afetadas, gravidade do comprometimento das unhas. O tempo de tratamento é LONGO, uma combinação de tratamento tópico e sistêmico (tomando remédio) aumenta a taxa de cura, porém a taxa de recidiva é muito alta, mesmo com uso de medicações mais recentes.

Caso não sejam tratadas, as micoses de unha podem complicar com deformação estética e funcional da unha, infecção bacteriana e até evoluir para unha encravada. A prevenção é ainda o melhor remédio!

Medidas simples podem limitar a propagação e prevenir as recaídas, tais como:

– Tratar outras micoses de pele
– Não andar descalço em ambientes públicos
– Substituir os calçados velhos (podem ter fungos alojados no interior),
– Secar bem os pés/entre os dedos após banho
– Evitar trauma nas unhas
– Trocar de meias diariamente (mais de 1x ao dia caso os pés transpirem muito)
– Higienizar os sapatos após uso e mantê-los em ambiente seco e arejado por pelo menos 24h
– Usar luvas de borracha para evitar umidade constante nas unhas
– Usar seus próprios instrumentos de manicure
– Lavar bem a mão após tocar uma unha contaminada

Se você notou alteração na cor e/ou formato de suas unhas, procure um dermatologista credenciado da SBD, marque sua consulta e tire todas suas dúvidas!

Por Dra. Cínthia Orasmo

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