Transtorno de ansiedade generalizado – TAG

No atendimento diário do consultório, sempre vem uma queixa, sinais e sintomas que podem envolver um quadro de ansiedade. Segundo DSM-IV (1994), os Transtornos de Ansiedade são classificados em Ataque de Pânico, Transtorno de Pânico, Agorafobia, Fobia social, Fobias Específicas, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Transtorno de Estresse Pós-traumático, Transtorno de Ansiedade Generalizada e Transtorno de Ansiedade Induzida por substancia.

O Transtorno de Ansiedade Generalizado é um estado de apreensão ou preocupação constante, que geralmente está acompanhado de tensão motora, irritabilidade e perturbações do sono. A causa não é identificável, os sintomas são persistentes com duração de pelo menos seis meses (DSM-IV, 1994).

Para Dalgalarrondo (2008) O quadro de Ansiedade Generalizada caracteriza-se pela presença de sintomas ansiosos excessivos na maior parte do dia, a pessoa vive angustiada, tensa, preocupada, nervosa ou irritada, são frequentes sintomas como insônia, dificuldade em relaxar, angustia constante, irritabilidade aumentada e dificuldade em concentrar-se.

A emoção é desagradável e desproporcionalmente mais intensa, podendo ser uma sensação de morte ou colapso iminente, direcionada ao futuro; é um estado emocional com experiência subjetiva de medo ou outras emoções relacionadas como terror, horror, alarme e pânico; há desconforto subjetivo durante o estado de ansiedade como aperto no peito, fraqueza nas pernas e outras sensações subjetivas (Andrade, 1998).

Segundo Coutinho (2011), O Transtorno de Ansiedade Generalizado é um transtorno crônico e flutuante e em geral quando uma pessoa procura tratamento, os sintomas já a acompanharam há muito tempo, muitas vezes os primeiros médicos a tratarem desse paciente em decorrência dos sintomas físicos do quadro são os gastroenterologistas, cardiologistas e os clínicos gerais, pois eles podem focar nas queixas físicas como tensão muscular, cansaço, insônia em vez das preocupações intensas e excessivas.

Para Jarros (2011), o Transtorno de Ansiedade Generalizada tem início precoce e percurso crônico, ainda na fase da infância e adolescência, sendo as mais propensas às que, relata dores no peito, sensação estranhas ou irreais, corações disparados, dor de cabeça, dor no estomago, tendências a serem perfeccionistas, inseguras e que exigem constantemente a garantia sobre o seu desempenho.

Coutinho (2011) acredita que o aumento da responsabilidade e os desafios na adolescência podem contribuir para o inicio do Transtorno Ansiedade Generalizada e os estudos clínicos apontam que os sintomas tendem a iniciar na adolescência e no inicio da vida adulta. O sujeito com Transtorno de ansiedade generalizada apresenta uma orientação muito forte para os acontecimentos futuros, com maior preocupação com pequenos problemas cotidianos e com eventos com probabilidade muito pequena de ocorrerem, tem como característica diferencial a intensidade e frequência dessas preocupações (Coutinho, 2011). Apresentam dificuldades de se concentrarem em tarefas do trabalho prejudicando se desempenho social, profissional e ou acadêmicas (Jarros, 2011).

Pode ser entendido como um sistema multidimensional que envolve o fisiológico, o cognitivo e o comportamental, causando sofrimento e prejuízo no funcionamento social ou ocupacional, desta forma, as pessoas portadoras de Transtorno de Ansiedade são mais vulneráveis à presença de déficits cognitivos (Kapczinski, 2008). O alto nível de ansiedade pode interferir no desempenho de várias funções cognitivas (Jarros, 2011) e segundo Rodrigues (2011), estudos mostram déficits nos processos de atenção, memória e funções executivas. Outras características predominantes no Transtorno da Ansiedade: alta sensibilidade à informação sobre ameaças em potencial, pensamentos automáticos associados ao perigo, risco, falta de controle, incapacidade; estimativas exageradas de riscos nas situações; estimativa diminuída, da capacidade de enfrentar o objeto temido ou situação temida; recordação intensificada de lembranças de situações ameaçadoras (Wright, 2012).

Os critérios diagnósticos para o Transtorno de Ansiedade Generalizado, segundo DSM-IV-TR:

A. A ansiedade e Preocupação excessiva (expectativa apreensiva), ocorrendo na maioria dos dias pelo período mínimo de seis meses, com diversos eventos ou atividades (tais como desempenho escolar ou profissional).

B. O indivíduo considera difícil controlar a preocupação.

C. A ansiedade e a preocupação com três (ou Mais) dos seguintes sintomas (com pelo menos alguns deles presentes na maioria dos dias nos últimos seis meses). Nota: Apenas um item é exigido para criança.

1) Inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele
2) Fadigabilidade
3) Dificuldade em concentrar-se ou sensações de branco na mente.
4) Irritabilidade
5) Tensãomuscular
6) Perturbação do sono (dificuldade em conciliar ou manter o sono, ou sono transitório insatisfatório e inquieto).

D. O foco de ansiedade ou preocupação não está confirmado a aspecto de um Eixo I; por exemplo, a ansiedade ou preocupação não se refere a ter um Ataque de Pânico (como no transtorno de pânico) ser envergonhado em público (como na Fobia Social), ser contaminado (como no Transtorno Obsessivo-Compulsivo), ficar afastado de casa ou de parentes próximos (como no Transtorno de Ansiedade de Separação), ganhar peso (como na Anorexia Nervosa), ter múltiplas queixas físicas (como no Transtorno da Somatização) ou ter uma doença grave (como na hipocondria), e a ansiedade ou preocupação não ocorre exclusivamente durante o Transtorno de Estresse Pós-Traumático.

E. A ansiedade, a preocupação ou os sintomas físicos causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízos no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

F. A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (droga de abuso, medicamentos) ou de uma condição médica geral (por ex.; hipertireoidismo) nem ocorre exclusivamente durante um Transtorno de Humor, Transtorno Psicótico ou Transtorno Global do desenvolvimento.
Diante desse cotidiano clínico, esta pesquisa busca problematizar uma situação tomada como corriqueira, mas que acredito que pode ser o primeiro sintomas para muitos problemas que poderão surgir no futuro social, profissional, cognitivo, comportamental e até no desenvolvimento de outras patologias e/ou comorbidades.

As doenças passaram a ser consideradas não somente o seu diagnóstico, mas o seu impacto limitante na vida das pessoas, sob o conceito de incapacidade (Camargo, 2008). Esse termo engloba os prejuízos, limitações nas atividades e participação social na funcionalidade e na vida prática do individuo.

Edna M Kawakami – Neuropsicologa – CRP 06/111295

. REFERENCIA BIBLIOGRAFICA:
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (1994). Diagnostic and statistical manual of mental disorders. 4°ed. Washington: American Psychiatric Association.

ANDRADE, L.H. e GORESNSTEIN, C. Aspectos Gerais das Escalas de Avaliação de Ansiedade. Rev. Psiquiatria Clinica. Vol. 25 n°25 Nov/dez 1998. Disponível em: http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol25/n6/ansi256a.htm Visto dia 28/03/2013.

CUNHA, J.A. Manual da Versão em Português das Escalas Beck. Casa do Psicólogo, São Paulo – SP. 2011.

DALGALARRONDO, P.; Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Artmed, Porto Alegre – RS, 2008.

JARROS, R.B. Perfil Neuropsicológico de Adolescentes com Transtorno de Ansiedade. Dissertação de mestrado, programa de Pós-graduação em Ciências Médicas, Psiquiatria. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/30932/000780667.pdf?…1 acessado dia 29/03/2013. Palavras chaves: perfil neuropsicológico, transtorno ansiedade.

KAPCZINSKI, F.; MARGIS, R.; Transtorno de ansiedade Generalizada. In: KNAPP, Paulo & colaboradores; Terapia Cognitiva – comportamental na pratica psiquiátrica. Artmed, Porto Alegre – RS, 2008.

RODRIGUES, C.L.; Aspectos neuropsicológicos dos transtornos da ansiedade na infância e adolescência: um estudo comparativo entre as fases pré e pós-tratamento medicamentosos. São Paulo, 2011, 146 p. Dissertação (mestrado), Faculdade de medicina da universidade de são Paulo, Programa de Psiquiatria, São Paulo, 2011.

WRIGHT, J.H.; SUDAK, D.M.; TURKINGTON, D.; THASE, M. Terapia Cognitivo-Comportamental de Alto Rendimento para Sessões Breves. Artmed. Porto alegre – RS, 2012.