Somatização: quando o corpo fala

Somatização: quando o corpo fala

Você já parou para pensar nisso?

É muito comum nos esquecermos como o corpo é uma parte integrante de nossa vida, indo muito além dessa composição de sistemas, órgãos e inteligência (como se apenas isso fosse pouco!), mas também como o principal comunicador do que se passa internamente conosco.

Nós até que aceitamos com relativa facilidade certos indícios que o corpo nos transmite. Quando ele está precisando “desligar” para carregar sua bateria, ficamos com sono. Quando ele precisa se reenergizar, ficamos com fome. Isso apena para citar os dois exemplos mais óbvios.

Mas quando mergulhamos um pouco mais, saindo da superficialidade para recônditos mais profundos do nosso ser, descobrimos que trazemos na bagagem um acúmulo de mágoas, arrependimentos, medos e rancores.

Todavia é muito comum que nos escape os sinais sutis que o corpo nos dá por conta desses pesos emocionais.

Uma razão simples seria pela subjetividade que envolve esses traumas não visíveis, mas que mesmo assim ocorrem e não sabemos como lidar com elas. Por exemplo, ao chorarmos, nós temos uma reação física ao sentir algum tipo de emoção, boa ou ruim.

É disso que trata a somatização.

Todos nós temos dois lados: o racional e o da sensopercepção. Enquanto o primeiro atua de maneiras mais prática e óbvia, o segundo é aquele por onde o nosso corpo tende a entrar em contato com o mundo externo.

A cada segundo, nosso corpo recebe bilhões de informações através de nossos cinco sentidos, mas a sua capacidade de guardá-las vai até certo ponto. O restante dessas informações acaba sendo armazenada em um famoso cantinho do nosso cérebro chamado inconsciente.

Ou seja, nada se perde de tudo o que nosso corpo absorve de informação e sensações. As informações (estímulos) chegam até elas e o cérebro as interpreta e nos envia uma resposta. Por acharmos que teremos controle de como essa resposta será, nós tendemos a desenvolver mais o lado racional, e com isso, acabamos por inibir nosso potencial sensoperceptivo.

Assim, as informações que deveriam entrar “puras” para o corpo, começam a chegar “filtradas” pela mente e, consequentemente, alteradas. Como essas informações vêm alteradas, as nossas respostas assim também serão.

É quando começam as crises: insônia, medo, pânico, ansiedade, sendo algumas delas. E claro, as próprias dores físicas. Via de regra sempre buscamos uma justificativa racional para isso. Mas independente de qualquer diagnóstico, aquilo nos acomete tem um fator emocional envolvido.

Um estudo feito na universidade de Harvard constatou que a questão física, como razão para a dor, é mínima. Nesse estudo, realizou-se exames de ressonância em grande parte da população masculina de uma pequena cidade, e verificou-se que 80% desses homens tinha algum problema na coluna. Todavia, desses 80%, apenas 10% deles afirmavam sentir dor.

Logo, a dor não é necessariamente relacionada a alguma alteração do físico. O que se verifica é que essas crises e dores também são uma resposta do corpo diante desses estímulos que acumulamos inconscientemente. Quando entendemos isso sobre a dor, nós começamos a tratá-la de maneira diferente.

No trabalho de Somato, estimula-se a sensopercepção – seja através de cheiros, toques ou qualquer influxo sensorial – para acessar essa caixinha do nosso inconsciente. Com isso, muitas daquelas sensações que, aparentemente, não havíamos absorvido, vêm à tona.

É algo realmente muito bonito de se ver quando isso acontece, pois os pacientes (re)encontram dentro de si algumas das respostas que buscavam externamente.

E “ouvir” o que nosso corpo está nos dizendo, é o melhor caminho para encontrarmos o equilíbrio em nossas vidas.