Queda de Cabelo!? O que fazer?

Os cabelos são umas das prioridades quando se fala em beleza. Não importa se lisos ou cacheados, longos ou curtos, loiros ou morenos, o importante é estarem saudáveis e bem cuidados, mas quando os fios começam a cair e cair…o desespero toma conta!

A queda de cabelo afeta tanto homens como mulheres, porém de maneiras diferentes. Antigamente “ficar careca” ou “perder os cabelos” para os homens era uma evolução natural, um sinal de maturidade, pois ainda pouco se sabia sobre tratamentos efetivos para a calvície. Na atualidade os homens cada vez mais jovens procuram tratamentos para prevenir a queda de cabelo. Já as mulheres, ao menor sinal de queda já procuram um dermatologista, pois os cabelos são parte importante da autoestima.

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Nem sempre quando ocorre queda dos fios significa que há uma doença responsável por trás, pois o ciclo de vida de cada fio de cabelo é marcado por fases de Crescimento, Repouso e Queda. Cerca de 90% dos cabelos encontram-se na fase de crescimento. Após um curto período de repouso (pára de crescer), o fio cai e, no seu lugar, um novo fio entra na fase de crescimento. Por isso, uma pessoa pode perder entre 50-100 fios de cabelo todos os dias, sem risco de desenvolver calvície, devido a esse processo de renovação contínua. A duração média de um fio de cabelo, do nascimento até a queda, é ao redor de um ano e meio a dois anos.

A identificação da causa da queda de cabelo é essencial para um tratamento eficaz. Existem diversas causas, dentre elas as alterações hormonais (Hipo/Hipertireoidismo, Diabetes, Doença de Addison), estresse, depressão, Síndrome dos Ovários Policísticos, doenças autoimunes (Lupus, Dermatomiosite), deficiências nutricionais (Anemia Ferropriva), anorexia, medicamentos, drogas ilícitas/álcool, alterações psiquiátricas (Tricotilomania), quimioterapia, pós-parto e pós-cirurgias. Quando a causa da queda dos fios se deve a uma doença sistêmica ou a mediação/drogas, deve-se proceder ao tratamento da doença específica, muitas vezes com auxílio de endocrinologistas, ginecologistas, até mesmo psiquiatras. Geralmente controlando a causa, os cabelos voltam a crescer normalmente.

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Já a alopecia androgenética atinge principalmente homens, mas pode afetar uma parcela das mulheres. Ocorre devido a uma herança genética, sendo que o histórico de calvície pode vir tanto do lado do pai quanto da mãe. Está diretamente associada à presença de hormônios sexuais masculinos, em especial a Testosterona. As mulheres também produzem esse hormônio, porém em menor quantidade, por isso os casos de calvície são mais raros e quando ocorrem, a perda é menos drástica.

O quadro de alopecia androgenética nos homens pode se iniciar entre 17-23 anos, com uma queda de cabelo gradativa e contínua, persistente e irreversível, pois é determinada pelos genes herdados dos pais. Quando os sinais de queda começam a aparecer entre 25-26 anos tem uma evolução mais lenta e costuma responder melhor ao tratamento. O mais provável é que em uma família geneticamente predisposta, em maior ou menor grau, todos os homens após 50 anos terão sinais de calvície.

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Já nas mulheres os sinais de queda dos fios pioram após a menopausa, devido à queda acentuada nos níveis de hormônios femininos, os Estrógenos. Os fios se tornam mais finos e rarefeitos na região da frente da cabeça, algumas vezes deixando visível o couro cabeludo. Os casos de alopecia androgenética feminina vêm aumentando à medida que as condições da vida moderna expõem as mulheres a maior carga de estresse e ansiedade. São outros fatores de risco: excesso de produtos químicos (tinturas, alisamentos e permanentes), tracionar muito os cabelos para prendê-los em rabos de cavalo ou tranças, além da carência de nutrientes e vitaminas provocadas pelas dietas restritivas para emagrecer.

O diagnóstico é feito após exame clínico e dermatoscópico do couro cabeludo, sendo às vezes necessária a retirada de um pequeno fragmento de pele do couro cabeludo (biópsia) para a confirmação do diagnóstico. Nestes casos, a biópsia mostra a proporção entre penugens (fios miniaturizados) e fios saudáveis. Se houver mais penugem do que cabelo, trata-se de alopecia androgenética.

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O tratamento da calvície pode ser feito de uma forma preventiva, principalmente nos casos associados à hereditariedade, antes que ocorra a perda do folículo de forma irreversível. Nos casos de doenças sistêmicas, como já mencionado, deve ser feito o tratamento da doença de base, com consequente melhora da queda e recuperação dos fios.

Na atualidade há várias alternativas para o tratamento da alopecia, desde medicações de uso tópico como minoxidil e 17-alfa-estradiol, as quais estimulam crescimento dos fios e inibem a queda, auxiliando no tratamento. Outras terapias atuais são a intradermoterapia e o microagulhamento (roller), os quais estimulam o crescimento dos fios através de uma cascata inflamatória. As medicações sistêmicas como finasterida e dutasterida inibem a ação dos hormônios andrógenos nos folículos, promovendo a manutenção dos fios e evitando seu afinamento. Estas medicações são usadas em homens e mulheres na pós-menopausa, e raros casos, mulheres jovens em uso de anticoncepcionais. Em alguns casos, uma opção para as mulheres jovens é a espironolactona, um diurético que tem ação antiandrogênica. Todo e qualquer tratamento tem seus prós e contras devido aos possíveis efeitos colaterais, por isso deve-se fazer seguimento contínuo com seu dermatologista. O transplante capilar é uma opção nos casos mais avançados, nos quais já ocorreu dano irreversível nos folículos e não houve resposta completa com os tratamentos citados anteriormente. De qualquer forma o uso de medicações tópicas, com ou sem medicações sistêmicas, são a base do tratamento da alopecia, uma vez descontinuado, a queda dos fios voltará a acontecer.

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Deve-se ter em mente que o tratamento das alopecias é demorado e os resultados surgem após alguns meses de cuidados intensivos. A reavaliação é sempre necessária para quantificar resposta individual aos tratamentos instituídos e se necessário modificação de doses e medicações. Não existem tratamentos milagrosos, desconfie!

Alguns casos de perda de cabelos merecem especial atenção. Por isso, não se automedique. Procure sua dermatologista se notar que:

* os cabelos estão caindo mais depressa e em maior quantidade nos últimos meses, ou caem em tufos;

* o couro cabeludo está vermelho, coça muito ou arde;

* a produção de oleosidade está muito acima do normal;

* sinais de caspa aparecem nas roupas e nos fios.

Por Cínthia Orasmo