Em seu livro Presença, a psicóloga social Amy Cuddy (que por sinal é detentora do título de segundo TED vídeo mais assistido da história, sobre linguagem corporal), relata como nossa postura corporal é quase um reflexo natural da nossa postura perante nossa vida, e quando estamos em perfeita harmonia conosco, experimentamos aquilo que ela chama presença!

“Presença é um estado de manter-se sintonizado consigo e sentir-se confortável em expressar nossos verdadeiros pensamentos, sentimentos, valores e potencial. É só isso. Não é um modo de ser permanente e transcendente. Ele vai e vem […] Ela emerge quando nos sentimos poderosos, o que permite sermos sinceros conosco […] Quando nos sentimos presentes, nossa fala, nossas expressões faciais, nossa postura e nossos movimentos se alinham. Eles sincronizam e focam, e essa convergência interna, essa harmonia, é palpável e ressonante, porque é verdadeira”.

Parece um bom lugar para se estar, não?

Bem, este preâmbulo explicando o conceito de “presença” na visão de Cuddy é para explicitar o como a atenção com nossa postura vai além do bem-estar físico esquelético, ela é tão profunda que atua em nosso estado emocional e psicológico.

Em determinado capítulo, Cuddy escreveu como interagir com aparelhos pequenos como smartphones, ainda que por curtos períodos de tempo, tem efeitos de longo prazo que sequer imaginaríamos. Quando mexemos em nossos smartphones precisamos contrair nossos corpos e quanto mais tempo passamos nessa posição “encolhida e introvertida”, menos donos de nós mesmos nos tornamos.

Outro ponto sobre a questão do smartphone é que ela não se restringe a postura ou hábito.

Claro, quando a pessoa está ali, com a cabeça para baixo, o ombro mais retraído, ela se mantém por muito tempo numa postura ruim, mas principalmente, ela está se fechando para o mundo. O mundo dela é ali naquela telinha.

Querendo ou não, o corpo também vai responder na mesma proporção. Você já reparou naquelas pessoas que usam fone de ouvido em transportes públicos ou mesmo andando pela rua? No que você acha que elas estão mais interessadas?

Então não é só pelo hábito, é por aquilo que está indicando ao corpo: eu estou me fechando e não percebo o mundo ao redor, o ambiente, o entorno.

Seria irônico se não fosse quase trágico pensar que apesar de usarmos esses aparelhos para nos conectarmos com mais pessoas e também sermos mais produtivos no trabalho, o resultado é exatamente o inverso do pretendido: somos menos eficientes e assertivos na vida profissional e mais distraídos e ausentes no âmbito pessoal.
Por isso, em nome da sua postura corporal e perante a vida, tenha mais atenção com o seu nível de uso com esses aparelhinhos. Seu corpo e o mundo ao seu redor agradeceram

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