Entre todos os bons relacionamentos que precisamos cultivar em nossas vidas, aquela com a nossa alimentação é uma daquelas que nos trariam mais benefícios no longo prazo.

Muitas vezes quando colocamos as palavras “alimentação” e “saudável” numa mesma frase, imaginamos pessoas magras, imagens clean, talvez com alguma atividade física ao ar livre.

Outra coisa que deve vir à mente, ainda que não se perceba, é a ideia de restrição.

Obviamente que uma alimentação saudável não deve incluir massa, doce e qualquer outra comida “proibida” e parta para aquelas verduras e legumes sem graça, certo?

Errado.

É por isso que talvez um bom começo para realinharmos algumas palavrinhas nesse conceito:

Primeiro, vamos adicionar a palavra “Relação”. Agora, alteramos a posição de “Alimentação” e “Saudável”, jogando a primeira pra trás e trazendo a segunda pra frente.

Voilá! Relação Saudável com a Alimentação.

Diferente da matemática, a ordem dos fatores altera sim o resultado!

Conhece-te a ti mesmo

Certamente você já ouviu essa frase antes, não é? Tão velha (mais de quatro mil anos!) e sempre tão atual.

O que queremos dizer com isso? Bem, primeiramente, cada pessoa é um indivíduo único.

Parece óbvio, mas costumamos esquecer disso, especialmente quando falamos de nutrição. Com a internet ficou muito fácil encontrarmos dicas e roteiros preestabelecidos para a alimentação:

Se você quer emagrecer, comece a tomar X.

Se quer ganhar massa, parta para Y.

Se quer melhorar a performance física, faça Z.

Nessa questão de ser saudável, a pessoa pode perder o discernimento do que, de fato, é saudável, e o que não é.

Hoje em dia, se come pensando no nutriente e no que aquilo vai trazer de benefício e não somente comer, porque é gostoso. Algo como, “Odeio X, mas vou tomar porque as pessoas disseram que tem que ser X”.

Tá, mas e você? O que você gostaria de comer no café da manhã?

Existem tantas opções para substituir algo que não é do seu paladar e que certamente pode te colocar no caminho certo para o destino que quer chegar – seja perder peso, ganhar massa ou melhor performance.

Uma alimentação saudável não precisa significar sofrimento. Pelo contrário!

Em meio a esse caos que de opiniões e vertentes nutricionais – por que e um fala paleolítico, outro fala low carb, outro que temos que nos entupir de gordura – e todos se esquecem que a base de tudo ainda é bioquímica:

Carboidrato, proteína e gordura, em equilíbrio, tudo funciona bem, fazendo atividade física, tendo um bem-estar social, estar bem com você, sua família, seus amigos, no seu trabalho. Tudo isso reflete na sua qualidade de vida em geral.

Atenção às restrições!

É preciso ter em mente que o corpo se adapta a qualquer coisa, a qualquer condição que se imponha a ele. Se você o coloca a uma situação de jejum, ele se adaptará para diminuir o gasto energético, porque não está recebendo comida.

No começo, obviamente, a pessoa perderá peso porque ela não ingerirá aquilo. Só que com o passar dos meses, ele vai pensar “Ok, a Maria não tá comendo, então eu preciso gastar o mínimo possível. Se não, eu não consigo sobreviver”.

Por isso, quando você perdeu 5 quilos em um mês, por exemplo, no mês seguinte talvez não perca mais nada, pois seu corpo se adaptou.

É quando entramos em um platô, e é exatamente quando a pessoa se engana, achando que tem que se manter naquela condição porque deu certo para outra pessoa.

Justamente por isso é importante saber qual o resultado a pessoa espera naquela restrição, pois pouco adiantará se manter nessa condição se nada estiver acontecendo. Talvez seja o momento de dar um estímulo novo ao corpo.

O mesmo ocorre com o tal do “comer social”.

Quando as pessoas estão fazendo uma dieta muito restrita, tem gente que deixa de sair porque tem que manter essas restrições e é melhor evitar a tentação externa.

Mas aí você se pergunta, o que é realmente saudável: ficar isolado e não ter convívio social porque você tem que emagrecer e estar dentro de um padrão preestabelecido (um outro papo…) ou você sair, ter uma relação saudável com a alimentação, comer de maneira correta e estar com seus amigos e está tudo bem.

Daí a importância de uma orientação nutricional realmente especializada, que focará na sua individualidade, te ajudando a compreender quais restrições (se é que houver alguma) será realmente benéfico para a sua saúde.

A ligação emocional com os alimentos

Como se não bastasse ainda há essa questão.

Ligação emocional com os alimentos. Isso existe mesmo?

Quer ver um exemplo? Comer por merecimento.

– Eu tive um problema no trabalho, meu chefe brigou comigo e aí eu descontei comendo um pote de sorvete, porque eu mereço.

Tá, você comeu uma emoção porque você estava triste, e daí? Você continua triste. Resolveu o seu conflito com a emoção?

Não. Só comeu um sorvete pra aliviar a sensação de tristeza, de raiva, e não resolveu a emoção, apenas a engoliu.

Isso é algo que, com infinitas variações, acontece com mais frequência do que se imagina, porque nossas emoções ainda são o grande motor dos nossos comportamento. Existe uma palavra pra isso: impulsão.

Por mais que a pessoa saiba o que está fazendo, ela age quase que de maneira inconsciente – e em tempos como esse de conexão e exposição constante, onde é quase que uma regra se mostrar para o mundo 24 horas por dia feliz-pleno-maravilhoso-bem resolvido-gratidão, os momentos de chateação, tristeza, etc funcionam como gatilhos para os nossos impulsos.

E descontam na comida.

Geralmente, bem naquela coisa que a pessoa estava se proibindo de comer.

O ponto é: e se você simplesmente buscasse compreender se você precisa verdadeiramente proibir-se de comer aquilo que, ora, só te dá prazer?

Como deu pra perceber, uma alimentação saudável passar, primeiramente, pela maneira como você se relaciona com a comida.

O mais importante é se sentir bem, sempre!

Deixe um comentário